A influência de Carmen Miranda na moda

Uma das brasileiras mais ilustres do país, na verdade, nasceu em Portugal no ano de 1909 sob o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha – mais conhecida por Carmen Miranda.
Chegou aqui com pouco mais de 10 meses de idade. Naquela época, Portugal nem sequer imaginava o que estaria perdendo. Nem o Brasil o que ganharia com a projeção internacional de uma celebridade, antes de Gisele Bundchen, Ronaldinho, Sonia Braga ou Pelé.
O fato é que o mundo se esbaldaria com o talento e carisma eletrizante da cantora que balançou a Era do Rádio e, depois… Hollywood!
Início
Quando criança já gostava de mostrar seus dotes musicais. Apreciador de ópera, seu pai apelidou-a de Carmen.
Com 20 anos, foi apresentada ao músico Josué de Barros e logo começou a cantar em clubes e teatros. A música “Pra você gostar de mim”, mais conhecida por ‘Tai’ foi o grande sucesso de carnaval de 1930, vendendo 36 mil cópias (um marco para época). A partir daí gravou músicas de vários compositores e iniciou turnês pela Argentina, Chile e Uruguai com shows sempre lotados.
No alto dos seus 1,53m de altura, Carmen Miranda foi apelidada de “A Pequena Notável” pelo radialista César Ladeira. No apogeu da era do rádio, os cantores (maioria do sexo masculino) viviam na base do cachê. As coisas mudaram em 1933, quando Carmen assinou um contrato com a emissora de rádio Mayrink Veiga, para ganhar dois contos de réis por mês.
Das rádios para o cinema foi um pulo. Em 1939, ela atuava em “Banana da terra”, onde apareceu pela primeira vez caracterizada de baiana. Também cantava o sucesso “O que é que a Baiana tem?”, de Dorival Caymmi.
No mesmo ano, numa de suas apresentações no Cassino da Urca, o empresário norte-americano Lee Schubert estava presente. Ficou encantado e a convidou para se apresentar na Broadway. Carmen só concordou, quando o Bando da Lua – seu grupo – a acompanhasse.
Fez sua despedida do Brasil na rádio Mayrink, dizendo: “Venho dizer adeus a vocês. Não esse adeus que é uma separação, mas o adeus que é uma saudade. Sigo para Nova Iorque onde vou apresentar a música da nossa terra (…).
Hollywood
Aí… Começou uma invejável carreira internacional, fazendo cinema, shows e participações em programas de televisão. Em 1941, tornou-se a primeira artista latino-americana a imprimir suas mãos e os saltos-plataforma no Teatro Chinês, em Hollywood – absoluta consagração. E em 1946, ela foi a artista mais bem paga e a mulher que mais pagava impostos na terra do Tio Sam!
Vida Pessoal
Pouca coisa abalava a aquariana de sorriso largo, olhos expressivos e talento inquestionável que lhe renderam outro apelido no EUA: “Bombshell” (gíria americana para símbolo sexual)! Até que…
Um dia ela conheceu e se apaixonou pelo americano David Sebastian, com quem se casou e viveu anos conturbados. Alcoólatra, ele a apresentou diversos vícios, entre eles, o álcool e barbitúricos.
O desgaste do relacionamento foi inevitável e passou a ter crises de depressão. No dia 04 de 1955, ela se apresentou no programa Jimmy Durante, quando passou mal. Foi para casa. Chegando, foi para seu quarto e teve um fulminante ataque cardíaco. Estava com 46 anos.
Influências
Todos os apelidos que enalteceram Carmen Miranda são perfeitamente justificáveis. Com seus trajes exóticos e sapatos plataforma, brilhava nos palcos dançando e cantando seu repertório de rumbas e marchinhas de carnaval.
Ditou moda nos anos 30 e 40. Nos EUA, seus turbantes e balangandãs foram copiados e expostos em vitrines. Também arrancou elogios da crítica norte-americana, como nos comentários das revistas Vogue e Look. “Com encantador sotaque português, uma alegria sincera e dedos como borboletas voadoras, Carmen Miranda é leve como uma bolha de sabão” (Vogue). “Carmen Miranda veio da América do Sul cantar umas coisas que ninguém entende, mexe os braços e o corpo. Conquistou a Broadway” (Look).
As frutas e roupas coloridas não eram o único destaque no guarda-roupa de Carmen. Os balangandãs influenciaram também o mundo do design das joias nos anos 1940.
Sua influência continua até hoje. Em 2005, no cinqüentenário de sua morte, foi lançada a coleção “Carmen Miranda H. Stern”.
Sem dúvida, Carmen Miranda é uma representante feminina de grande valor. É considerada precursora do tropicalismo e uma vanguardista. E uma notícia bacana é que seu estilo novamente está de volta.
Este ano os estilistas estão apostando nas sandálias de plataforma e tecidos coloridos (totalmente tropicalista). Também nos bordados, rendas e branco para contrastar. Isso tudo associados a colares, pulseiras e anéis em ouro ou bijuterias – muitos balangandãs, tudo bem a La Carmen!
Depoimento pessoal
Nos tempos de graduação de Jornalismo, eu e meu grupo – que inclui o editor do MONDO MODA, Jorge Marcelo Oliveira, mais Carmen Silvia Palma, Edimilson Montalti e Ana Paula, nos aventuramos a fazer um trabalho sobre Carmen. Além da monografia, resolvemos fazer uma performance. 
No dia da apresentação, ao lado do grupo que vestia calça branca, camiseta listrada de azul claro e branco e chapéu de palha, fingindo tocar pandeiro… Adivinha quem interpretou a estrela? Então… Por uma noite, eu fui Carmen Miranda! Toda trabalhada num figurino especial, dublei “O que é que a baiana tem?”!
Foi um impacto! Nosso professor – conhecido por sua extrema rigidez – ficou em êxtase.
Infelizmente não temos fotos para ilustrar essa passagem, porque nosso orçamento era muito curto. Era final dos anos 1980 e não existiam celulares e muito menos câmeras digitais! Pena!
(Colunista: Elaine Luze Neto)